quarta-feira, 30 de maio de 2012

Monstros, Abraços e Campos de Força.


O quarto era escuro e chovia lá fora. De baixo das cobertas tremia um garoto de cerca de 7 anos de idade. Seus olhos não via o guarda roupa e, muito menos, a escrivaninha onde fazia seus desenhos. A mente do pequeno transbordava imaginação e o medo fazia com que transformasse os móveis em monstro (Talvez numa lagartixa gigante ou algo com garras e presas).

LUZ! SOM!

O estrondo do trovão e o clarão do relâmpago foram suficientes para tirar o garoto da cama. Gritando e de olhos fechados ele correu para o quarto da mãe, se jogando no lado vazio da cama e à acordando com seu choro.

A mãe sabia o que viria em seguida, como sempre vazia ela se virou e abraçou o garoto até que a respiração do pequeno se normalizasse e o choro cessasse.  Por
fim, ergueu a mão para que pudesse acariciar a cabeça do filho.

Não demorou muito para que a imaginação da criança fluísse novamente. Agora nem ele sabia se estava sonhando ou se estava acordado, porém, via mais do que os braços de sua mãe o envolvendo. O menino via castelos, fortalezas e campos de força impenetráveis ao seu redor.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Por trás da estética.




Uma propaganda tipicamente brasileira, que nos faz pensar nas nossas praias. Voltada para o publico feminino possui interlocução específica.

Faz um excelente uso da linguagem verbal e não verbal, sendo estritamente necessário a imagem para entendermos o texto.  Muitas cores também são marcas brasileiras, como o carnaval, que se associam a marca.

A marca no entanto hoje em dia não é mais voltada para todas as classes sociais, especificando ainda mais o interlocutor.

sábado, 12 de maio de 2012

Wind of Change.





- Letra no video.

9 de Novembro de 1989, cai o muro de Berlim. Uma série de mudanças esta ocorrendo por toda a Europa. Dizem que assim que receberam a noticia a banda encontrou a inspiração que precisava para escrever o "vento da mudança". No entanto a música foi lançada em 1990.

A letra flui com o sentimento de liberdade, após anos o muro caiu, o sentimento das pessoas de atravessar sem a intervenção dos soldados, a citação aos aspectos urbanos e naturais. Tudo isso se misturando para que uma música que representasse toda a alegria daqueles alemães pudesse ser feita.

Uma música que mostra como tudo pode mudar, que as pessoas tem esse poder. Contextualizada no final da guerra fria não trata só das mudanças dentro da Alemanha mais sim em todo o mundo, principapalmente o leste europeu, o fim da URSS e o fim da guerra fria.

É preciso sentir, imaginar-se ouvindo essa música ao mesmo tempo em que está correndo para o outro lado do muro, procurando um parente que não se vê há anos e o encontrando depois. Só assim teremos a noção da verdadeira essência da música.

Poder


"Esconder o que foi feito nunca será a melhor opção. É preciso encarar a história para que assim possamos seguir em frente. Precisamos sempre nos lembrar dos tempos difíceis que foram os anos de ditadura, nos lembrar dos que lutaram contra ela, para nunca esquecermos de que NÓS temos o verdadeiro poder de mudar."

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"Deixe o Jovem Pensar!"



É fato que o jovem de hoje está claramente mais acomodado e mais ausente em relação à política de nosso país. Contudo, sendo eles fruto de uma geração que muito lutou por seus direitos, será que esse comodismo é realmente culpa deles?

Posso afirmar que não, ao menos não totalmente. A geração batalhadora de antigamente hoje cria seus filhos para que não tenham que sofrer tanto como eles sofreram, vivem com o intuito de estar sempre dando o melhor que podem aos seus descendentes. Seria hipocrisia reclamar do adolescente que se abstém da política quando a própria sociedade o cria num universo protegido.

Os jovens precisam tirar essa venda imposta a eles e perceber que o que eles se acostumaram a chamar de “liberdade”, é na verdade a oportunidade conquistada por seus pais e avós para que hoje nós pudéssemos brigar por nossos direitos sem corrermos o risco de sermos torturados, exilados ou mortos. É a chance que eles nos deram para que continuássemos a busca por um Brasil melhor.

Atualmente, são poucos os jovens que, assim como eu, se importam em mudar o mundo, ou pelo menos chegar perto disso. O sonho não acabou. Ele está guardado dentro de cada um, jovem, adulto ou idoso, que acredita que ainda podemos dar ao nosso país um futuro que ele realmente merece. O sonho está seguro, e ainda vivo no coração de poucos, que esperam ansiosamente o momento de passá-lo adiante.

Uma Breve História da Morte



Instantes após surgimento da Vida... Surge a Morte. O tempo foi passando e seres cada vez mais complexos foram aparecendo, não demorou e logo os humanos já haviam dominado o mundo. Com o passar dos séculos a humanidade foi evoluindo, a Vida e a Morte sempre ao lado foram se personificando e adquirindo características quase humanas.

E aqui nossa história começa. Acho interessante fazer uma breve explicação, Vida e Morte podem estar em vários lugares ao mesmo tempo, então acho bom acreditarem na história que aqui relato, pois, sem que saiba, “Ela” pode estar ao seu lado te observando, como está ao meu, me dizendo o que tenho que escrever. De volta ao que importa.

Morte estava sentada na janela do 14° andar do Empire State. Usava um vestido branco, feito de algum tecido desconhecido por nós, humanos, que ia até pouco acima dos joelhos, seus olhos verdes se destacavam na pele pálida. O cabelo loiro e liso perfeitamente arrumado a frente dos ombros fazia com que a confundíssemos com o que alguns chamam de anjo. Contudo, a foice, de cerca de um metro de comprimento, com a lamina negra contradizia a imagem de anjo.

Estrategicamente posicionada Morte apenas esperava que a meia noite chegasse. Ela olhava ansiosamente para o céu, apesar dos inúmeros relógios na cidade ela preferia se orientar pela lua. Não faltava mais do que dez minutos para meia noite e Morte ainda não havia tomado a sua decisão.

Há meses durante um incêndio em que esteve presente Morte se deparou com algo que não podia enfrentar. Era um dia normal, numa família normal, quando, por acidente a mãe esqueceu a lareira acessa, não demorou muito e toda a casa estava em chamas. O pai e a mãe correram para o ultimo andar com o bebê, tentaram desesperadamente pedir ajuda para algum vizinho, mas era inevitável, desde o começo do incêndio a foice já havia sido passada. Não que Morte gostasse de levar a alma das pessoas (infelizmente não posso dizer para onde), mas após milhares de anos mantendo o equilíbrio ela já estava acostumada.
Preparava-se para abandonar o local, os bombeiros já tinham apagado o fogo, os corpos estavam sendo retirados, quando um garoto de 17 anos, deduzira ela, sai da casa. Tinha lágrimas nos olhos, o cabelo queimado, e o rosto sujo. Os bombeiros o socorreram e ele foi levado dali, mas Morte não esquecera seu rosto.

Desde então Morte começara a acompanhar cada passo do jovem, sentia vontade de levá-lo, de retirar de uma vez só a alma de seu corpo. Sabia que não poderia fazer isso, era contra as regras, mas a cada dia que se passava a ideia se fortalecia em sua mente.

Os relógios de Nova York apitaram, era meia noite, e Morte havia tomado a sua decisão. O garoto estava saindo do prédio, trabalhava lá, e sem pensar duas vezes ela se jogou do prédio com a lamina estendida, pronta a atravessá-lo, diriam que o jovem sofreu de uma parada cardíaca hereditária e que morreu, em frente ao Empire State antes que o socorro jogasse.

Faltavam apenas alguns metros para que a lâmina atingisse o garoto, quando um clarão, que só a Morte pode ver, a interceptou. O garoto que estava perto desmaiou de repente, sem que ninguém soubesse o porquê. Ou melhor, sem que nenhum humano soubesse o motivo.

Morte se ajeitou, e ficou de pé para encarar o ser que agora olhava fixamente para ela. Era alta, usava calças jeans e uma jaqueta preta de couro, botas da mesma cor de que a jaqueta cobriam seus pés. Os cabelos castanhos e encaracolados formavam um rabo de cavalo, o rosto moreno e os olhos cor de mel lhe proporcionavam uma beleza indescritível. Levava consigo uma foice, que diferente da foice de Morte possuía uma lamina prateada.

- Vida. – disse Morte já pensando no sermão que iria ouvir.

Pessoas começavam a se aglomerar em volta do jovem desmaiado.

- Você não tem o direito de levá-lo por sua vontade, você apenas encaminha as almas, a natureza diz quando elas devem ir. – Se os humanos pudessem ouvir tenho certeza que teriam todos ficados encantados com a voz de Vida.

- Uma alma a mais ou a menos não vai fazer diferença! – gritou Morte em resposta.

- O garoto merece a chance de viver. – disse Vida seriamente.

Morte gritou, seu grito ecoou por toda estrutura do prédio. Os olhos cheios de lágrimas foram a ultima coisa que Vida viu antes que ela desaparecesse. Vida foi até o garoto e encostou sua foice em seu peito, quase que imediatamente ele abriu os olhos.

Morte agora se encontrava num quarto escuro, seu cérebro trabalhava desesperadamente numa tentativa vaga de mantê-la presa a razão. “O garoto merece a chance de viver”.  Foram essas as palavras de Vida, mas Morte sabia muito bem que elas não diziam apenas isso. Não havia como vencer, ainda com lágrimas nos olhos ela esticou sua foice e num movimento rápido a atravessou em seu peito.

O dia transcorreu bem para todos, exceto para Vida, ela realizou normalmente seus afazeres, dando a vida a cada ser vivo que nascia e curando todos aqueles que a natureza lhe indicava. Já era quase meia noite quando reparou que não havia cruzado uma vez se quer com Morte em seu dia hoje. O medo recaiu sobre ela, procurou o jovem de ontem e lá estava ele, vivo, dormindo em sua cama. No entanto Morte não estava por perto.

Vida saiu da casa do garoto, buscou em diversas casas do bairro, mas não a encontrou. Estava fazendo sua ultima tentativa nas casas na proximidade quando entrou numa na qual a TV havia sido deixada ligada, o noticiário informava algo urgente. Ela parou para assistir, se fosse um desastre natural, um terremoto, um ataque terrorista Morte certamente estaria por lá.

As palavras da jornalista conseguiram surpreender Vida, ela informava que ninguém sabia o motivo, mas que hoje não fora sido perdido no mundo uma vida sequer. Imediatamente Vida resolveu ir ao ultimo lugar em que pensou que Morte estaria. O lugar que ela supôs que Morte nunca mais voltaria, o lugar onde elas acreditavam ter surgido, seu medo havia se tornado realidade.

Quando entrou no quarto escuro teve que abafar um grito, o quarto que antes dividira com Morte, antes mesmo de a humanidade surgir, agora servia apenas como cenário para uma cena de crime. A foice de morte se encontrava jogada no chão, sob ela o vestido que Morte sempre usava, com algumas manchas vermelhas.

Os olhos de Vida lacrimejaram. Lentamente ela se abaixou e tocou a foice, não só o poder de Morte fluiu através dela como também a memória e os sentimentos. O nascimento, os grandes acontecimentos em que teve que trabalhar e o fato mais recente, o incêndio. O momento em que ela avistou o garoto saindo da casa e dentro dela um sentimento começou a surgir, os dias em que desejara ser mortal para poder estar ao lado do garoto, o momento em que decidira levar a alma do jovem para que ele pudesse “viver” junto a ela.
Vida saiu do quarto, carregava agora duas foices, era a Vida e a Morte num único ser. Por sorte ela veio até mim, e me pediu para relatar essa história. “Ela”, talvez me leve quando eu acabar, ou talvez apague minha memória, mas agora que sei dessa história posso afirmar que muitos se lembram desse dia como o dia em que não houve mortes no planeta, mas eu me lembrarei desse dia como o dia em que a Morte morreu por amor. 

sábado, 24 de março de 2012

Pedro


Pedro acabara de sair de seu trabalho, o relógio da Av. Paulista marcava 20h. Pedro caminhava lentamente, usava um terno preto e sapatos sociais, a usual camisa branca estava por dentro da calça e sua gravata mostrava o homem de negócios que ele era.

Após alguns minutos caminhando parou numa das lanchonetes da avenida, sentou-se à mesa do fundo, sozinho. Não precisou pedir nada, a garçonete já o conhecia, não demorou muito e ela trouxe o seu cappuccino duplo. Ele ignorou o sorriso da moça, fitava o cappuccino, sem tocá-lo.

Seu olhar não estava ali, o vapor que subia do café quente lhe inundava a mente e trazia lembranças. Seu trabalho, depois a faculdade, a época de escola, a infância, e por fim uma imagem, dele bem pequeno, sentado a uma mesa com um homem mais velho, e por fim, escuridão. Estava de volta ao café. Tomava apenas um gole de seu cappuccino, pagava e ia embora.

Pedro fazia isso todos os dias, e depois voltava para seu apartamento. Morava sozinho, uma casa arrumada para alguém solteiro. No dia seguinte ele seguiu fielmente sua rotina, e no outro, e no outro... A sensação de que aquele homem podia ser o seu pai não o abandonava, quando criança sua mãe lhe dissera que seu pai havia sumido logo após que ele nasceu, porém aquela imagem o fazia ter certeza que seu pai aparecera, uma única vez.

Era o ultimo dia antes de suas férias, Pedro resolvera ficar até mais tarde no trabalho, o relógio já marcava 22h quando ele entrou na lanchonete.

- Pensei que não viria hoje. – foi o que disse a garçonete.

- Eu também. – murmurou de volta.

Ele se sentou no fundo como de costume, refletiu como de costume e bebeu apenas um gole. Mal havia se levantado quando entra na loja, um cara encapuzado e anuncia um assalto. Algumas pessoas gritam, outras tentam fugir, o assaltante saca uma arma e atira para o teto. Estavam presos.

Pedro agarrou o cappuccino, seu amuleto, seu símbolo, sua única lembrança. A lembrança naquele momento de tensão pareceu fluir em sua mente, ele lembrou-se do homem lhe pagando o café, dos risos que deu aquele dia, do modo como o homem afagava sua cabeça e o que ainda restava de duvida se foi, aquele era seu pai. A lembrança aflorava cada vez mais e ele se lembrou, seu pai naquele dia dissera a ele que se encontrariam no futuro, que ele tinha uma doença chamada câncer, na época Pedro não sabia o que era, e teria que fazer uma viagem muito longa.

Ouviu-se um estampido alto, um tiro. Pedro foi trazido à realidade. Algo o impedia de se mover. Via pessoas se aproximando dele, e no fundo, na entrada da loja, o homem com quem sonhara todos esses anos.